A produção do engajamento militante: experiência do Instituto Educar (MST)

Autores

  • Julia Latorres de Souza Mittelmann Universidade Federal do Rio Grande do Sul image/svg+xml
  • Marcelo Kunrath Silva Universidade Federal do Rio Grande do Sul image/svg+xml

DOI:

https://doi.org/10.36920/wwk6yg89

Palavras-chave:

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Engajamento militante, Engajamento político, Formação política, Instituto Educar

Resumo

Este artigo investiga como a experiência educativa na Faculdade de Agronomia do MST, localizada em Pontão/RS, atua na produção do engajamento militante dos estudantes com o MST e suas pautas. O estudo parte da análise das trajetórias de vida dos estudantes, fundamentais para a formação de suas disposições e identidades, e examina as dinâmicas vivenciadas no cotidiano da instituição. Busca-se compreender em que medida os quadros interpretativos do Movimento são incorporados pelos estudantes e como o Instituto Educar mobiliza esses quadros para a formação de militantes. A metodologia adotada é qualitativa, combinando revisão bibliográfica, observação participante e entrevistas semiestruturadas com três estudantes, a fim de compreender as dinâmicas sociais na faculdade e as trajetórias individuais dos alunos. Os resultados indicam que o Instituto Educar propicia um ambiente no qual operam mecanismos de socialização militante, conexão estrutural e alinhamento identitário, que tendem a construir ou reforçar disposições e recursos para o engajamento militante.

 

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Julia Latorres de Souza Mittelmann, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    É graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2024) e mestranda do Programa de Pós Graduação em Sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2025 - atual).

  • Marcelo Kunrath Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Possui graduação em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1996), doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2001) e pós-doutorado no Watson Institute for International Studies/Brown University (2008). Professor Titular do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Tem experiência na área de Sociologia Política, com o desenvolvimento de pesquisas nos seguintes temas: democracia, cidadania, conflitualidade, participação social, orçamento participativo, conselhos de políticas públicas, associativismo, movimentos sociais e engajamento militante. Coordena o Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento - GPACE (http://www.ufrgs.br/gpace/pt/). É vice-coordenador do INCT - Participa.

Referências

ANJOS, Gabriele dos. Liderança de mulheres em pastorais e comunidades católicas e suas retribuições. Cadernos Pagu, Campinas, n. 31, p. 509-534, jul./dez. 2008.

BARCELLOS, Sérgio Botton. Formulação das políticas públicas para a juventude rural no Brasil: atores e fluxos políticos nesse processo social. 2014. 306 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.

BECKER, Howard S. Notes on the concept of commitment. The American Journal of Sociology, v. 66, n. 1, p. 32-40, 1960.

BOURDIEU, Pierre. É possível um ato desinteressado? In: BOURDIEU, Pierre. Razões práticas. 9. ed. Campinas: Papirus, 1996.

BRENNER, Ana Karina. Militância de jovens em partidos políticos: um estudo de caso com universitários. 2011a. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011.

BRENNER, Ana Karina. Tornar-se militante: experiências de 3 jovens engajados em partidos políticos. Trabalho apresentado na IX Reunião de Antropologia do Mercosul, Curitiba, 10-13 jul. 2011b.

CASTRO, Elisa Guaraná de. Juventude rural no Brasil: processos de exclusão e a construção de um ator político. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, v. 7, n. 1, p. 179-208, 2009.

CORADINI, Odaci Luiz. Escolarização, militantismo e posições políticas. In: ENCONTRO ANUAL DA ANPOCS, 30., 2006, Caxambu. Anais [...]. Caxambu: ANPOCS, 2006.

CORADINI, Odaci Luiz. Recursos de origem, investimentos e expectativas de retribuição na militância do MST. Espacio Abierto Cuaderno Venezolano de Sociología, Zulia, v. 19, n. 3, p. 445-473, jul./set. 2010.

DIANI, Mario. Introduction: social movements, contentious actions, and social networks: “from metaphor to substance?”. In: DIANI, Mario; McADAM, Doug (org.). Social movements and networks: relational approaches to collective action. Oxford: Oxford University Press, 2003.

DIANI, Mario; McADAM, Doug (org.). Social movements and networks: relational approaches to collective action. Oxford: Oxford University Press, 2003.

FERNANDES, Bernardo Mançano. O MST e as reformas agrárias do Brasil. OSAL, Buenos Aires, n. 24, p. 73-85, out. 2008.

FILLIEULE, Olivier. Propositions pour une analyse processuelle de l’engagement individuel. Revue Française de Science Politique, Paris, v. 51, n. 1-2, p. 199-217, 2001.

FILLIEULE, Olivier. Some elements of an interactionist approach to political disengagement. Social Movement Studies, v. 9, n. 1, p. 1-15, jan. 2010.

GAXIE, Daniel. Rétributions du militantisme et paradoxes de l’action collective. Swiss Political Science Review, v. 11, n. 1, p. 157-188, 2005.

MARTINS, Leonardo Rauta. Ex-alunos da Escola Família Agrícola de Olivânia: quem são e quais seus projetos para o futuro? Revista IDeAS, Rio de Janeiro, v. 15, p. 1-23, jan./dez. 2021.

MATONTI, Frédérique; POUPEAU, Franck. O capital militante: tentativa de definição. Plural, São Paulo, n. 13, p. 127-134, 2006.

MCADAM, Doug. The biographical consequences of activism. American Sociological Review, v. 54, n. 5, p. 744-760, 1989.

MELUCCI, Alberto. A invenção do presente: movimentos sociais nas sociedades complexas. Petrópolis: Vozes, 2001.

MISCHE, Ann. De estudantes a cidadãos: redes de jovens e participação política. Revista Brasileira de Educação, n. 5/6, p. 134-150, 1997.

MISCHE, Ann. Cross-talk in movements: reconceiving the culture-network link. In: DIANI, Mario; McADAM, Doug (org.). Social movements and networks: relational approaches to collective action. Oxford: Oxford University Press, 2003.

MISCHE, Ann. Partisan publics: communication and contention across Brazilian youth activist networks. Princeton: Princeton University Press, 2008.

MORENO, Rosangela Carrilo; ALMEIDA, Ana Maria F. O engajamento político dos jovens no movimento hip-hop. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, p. 130-142, jan./abr. 2009.

MOURA, Joana Tereza Vaz de; SILVA JUNIOR, Marcos Aurélio Freire da; SILVA, Jenair Alves da. Da invisibilidade à ação no campo político: dinâmicas da juventude rural nos processos participativos das conferências nacionais. O Social em Questão, v. 3, n. 51, p. 1-31, 2021.

OLSON, Mancur. A lógica da ação coletiva: os benefícios públicos e uma teoria dos grupos sociais. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1999.

OLIVEIRA, Wilson J. Posição de classe, redes sociais e carreiras militantes no estudo dos movimentos sociais. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 3, p. 49-77, jan./jun. 2010.

PASSY, Florence. Social networks matter. But how? In: DIANI, Mario; McADAM, Doug (org.). Social movements and networks: relational approaches to collective action. Oxford: Oxford University Press, 2003.

PASSY, Florence; GIUGNI, Marco. Life-spheres, networks, and sustained participation in social movements: a phenomenological approach to political commitment. Sociological Forum, New Jersey, v. 15, n. 1, p. 117-144, 2000.

REIS, Eliana Tavares dos. Contestação, engajamento e militantismo: da “luta contra a ditadura” à diversificação das modalidades de intervenção política no Rio Grande do Sul. 2007. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

SAWICKI, Frédéric; SIMÉANT, Johanna. Inventário da sociologia do engajamento militante: nota crítica sobre algumas tendências recentes dos trabalhos franceses. Sociologias, Porto Alegre, v. 13, n. 28, p. 200-255, dez. 2011.

SEIDL, Ernesto. Disposições a militar e a lógica de investimentos militantes. Pro-Posições, Campinas, v. 20, n. 2, p. 21-39, maio/ago. 2009a.

SEIDL, Ernesto. Escolarização e recursos culturais na composição de carreiras militantes. Cadernos CERU, São Paulo, série 2, v. 20, n. 1, p. 155-169, jun. 2009b.

SILVA, Marcelo Kunrath; RUSKOWSKI, Bianca de Oliveira. Levante juventude, juventude é prá lutar: redes interpessoais, esferas de vida e identidade na constituição do engajamento militante. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, v. 3, p. 23-48, 2010.

SILVA, Marcelo Kunrath; RUSKOWSKI, Bianca de Oliveira. Condições e mecanismos do engajamento militante: um modelo de análise. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n. 21, p. 189-228, set./dez. 2016.

SILVA JUNIOR, Marcos Aurélio Freire da. As estruturas simbólicas e as relações de poder que perpassam a juventude em comunidades rurais: um estudo de caso em Bebida Velha – Pureza/RN. 2020. 101 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Urbanos e Regionais) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2020.

TOMIZAKI, Kimi; ROMBALDI, Maurício. Construindo a legitimidade: reflexões sobre as transformações das práticas de militância no movimento sindical. Pro-Posições, Campinas, v. 20, n. 2, p. 93-112, maio/ago. 2009.

UNIVERSIDADE FEDERAL DA FRONTEIRA SUL. Projeto pedagógico da turma especial do curso de graduação em Agronomia – Bacharelado. Erechim, 2019.

Downloads

Publicado

13-08-2026

Edição

Seção

Dossiê: Movimentos Agrários, Participação e Políticas Públicas: Conflitos e Resistências

Artigos Semelhantes

1-10 de 241

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.